Blog do cantor, compositor e professor amazonense Paulinho Kokay

Faxina no Facebook – Ninguém me cutuca e a Luiza voltou

Onde o mundo real se converte em simples imagens, estas simples imagens tornam-se seres reais e motivações eficientes típicas de um comportamento hipnótico. O espetáculo, como tendência para fazer ver por diferentes mediações especializadas o mundo que já não é diretamente apreensível, encontra normalmente na visão o sentido humano privilegiado que noutras épocas foi o tato; a visão, o sentido mais abstrato, e o mais mistificável, corresponde à abstração generalizada da sociedade atual. (Guy Debord – A Sociedade do Espetáculo)

Outro dia resolvi fazer uma limpeza no meu Facebook. Comecei pelas pessoas sem foto e aí encontrei a Ana Cristina, minha querida amiga Aninha, pessoa pra lá de especial a qual jamais excluiria do meu rol de amigos. Resolvi partir pro critério número de amigos comuns. Vi que os únicos que se enquadravam nesse critério eram pessoas de outros Estados. Acabei por excluir pessoas que nunca havia tudo qualquer contato virtual, nem cutucada, nem comentário nem curtidas. Dentre essas pessoas exclui uma antiga amiga de décadas passadas. Para  minha surpresa, essa, em menos de meia hora me mandou uma mensagem dizendo: “poxa, você me excluiu. Adoro ler o que vc escreve. Que pena!”. Fiquei me sentindo culpado e percebi que independente de ser curtido, cutucado ou comentado, somos lido e admirados. Percebi então que esse negócio de limpeza é uma bobagem só. Se não quero quantidade e sim qualidade nos meus amigos virtuais, que eu crie critérios na hora de aceitar. Eu, por exemplo, não aceito político de jeito nenhum, a não ser os que eu considero sérios, que são poucos.

O Facebook, como todas as redes sociais não se difere da vida real. Ao irmos ao shopping, cruzamos com centenas de pessoas as quais não conhecemos. Mas também encontramos conhecidos, alguns dos quais não queremos papo. Aí desviamos, fingimos estar no celular, fazemos de conta que não vimos. Mas, ao irmos ao shopping não podemos simplesmente eliminar as pessoas. Elas estão lá. Agora, se temos pessoas no nosso rol de amigos virtuais, as quais adicionamos ou aceitamos convites, que nos desagradam, temos por opção cancelar a assinatura, que nos impede de ler o que ela escreve; podemos excluir ou ainda bloquear, o que elimina qualquer possibilidade de contato. Penso eu que isso deve ser feito em casos de invasão de privacidade, meter o bedelho onde não é chamado, agressão verbal, até por divergência de opinião. Mas, é estranho quando eu adiciono e depois resolvo excluir porque essa pessoa não me cutuca, não comenta minhas publicações ou nunca me curtiu. Acho muito narcisismo da pessoa.

Eu tenho uma escala de ações: primeiro eu cancelo a assinatura. Se a pessoa rescindir, excluo. Na insistência, bloqueio. E fiz isso em alguns casos: a) gente chata. Não chatinha, mas chata de galocha; b) gente que fica se mostrando, contando vantagem, fazendo apologia ao seu ego, como se mais ninguém existisse, publicando seu curriculum vitae, como se fosse um romance de Milton Hatoum; c) Gente que fica postando piadinhas sem graça, de mau gosto, preconceituosa e pior: já publicada há séculos e é apresentada pela pessoa como a maior novidade; d) Gente que faz apologia à doença, como se fosse um GPS. Descreve cada passo da consulta, narra sua cirurgia, implora atenção; e) Gente que fica tratando animal como gente, postando foto das “crianças”, dizendo que o “bebê” não comeu, está doente; f) Fanáticos, tais como ecologistas, evangélicos, torcedores, tarados, exibicionistas, etc.

E agora acrescentei mais uma categoria: as pessoas que perdem um tempo danado criticando as coisas. Ficam postando mensagens de ódio pelo Big Brother, por exemplo. Porra, desliga a TV, muda de canal. No fundo, todo mundo dá uma espiadinha e fica fazendo onda. EU não gosto, não assisto, pronto. Outro dia falei do UFC porque estavam vangloriando o Aldo por ser amazonense e me criticaram. Não tenho nada contra UFC, nem assisto. Mas também não fico enchendo o saco falando mal. Cada um no seu cada um. Me impressiona as pessoas que trabalham na mídia criticarem o fator “Luiza está no Canadá…”. Isso, mesmo sendo fútil, não deixa de ser um fenômeno de mídia. Estudem isso e proponham o uso da internet pra coisas boas ao invés de ficar se masturbando com o membro do outro, que escreve contra.

Então, meus queridos, aviso que em primeira instância aceito todo mundo que convida pra ser amigo no Facebook. Mas, não garanto a permanência mediante esses critérios acima descritos. Assisto Big Brother, embora não seja fã. Gosto de observar o comportamento humano, por isso escolhi a Psicologia. Assisto TV Senado e TV Câmara, vez ou outra. Me divirto com os programas evangélicos e aqueles pastores eufóricos e teatrais. Assisto A Vida da Gente, Aquele Beijo, Fina Estampa e Domingão do Faustão, às vezes. Choro com Lar Doce Lar, do Caldeirão do Huck. Odeio o Discovery Channel, National Geografic e seus documentários sonolentos dizendo que “a fêmea marsupial investe pouca energia e recursos durante a gestação, mas a lactação requer investimento substancial…”.

Termino por aqui, mas antes lembro a todos que a Luiza já voltou do Canadá.

PS.: Alguém sabe que porra é Marsupial?

Valeu, José Aldo ou tenho orgulho de ser amazonense

I – OS GLADIADORES

Os gladiadores eram lutadores que participavam de torneios de luta na Roma Antiga. De origem escrava, estes homens eram treinados para estes combates, que serviam de entretenimento para os habitantes de Roma e das províncias. Eram escolhidos entre os prisioneiros de guerra e escravos. Com o passar das lutas, caso reunisse muitas vitórias, tornavam-se heróis populares. Nas arenas (a mais famosa era o Coliseu de Roma), os gladiadores lutavam entre si ou colocados na arena para enfrentar feras. O combate entre gladiadores terminava quando um deles morria ou ficava ferido com impossibilidade de continuar a luta. Os gladiadores mais bem sucedidos ganhavam, além da popularidade, muito dinheiro e, com o tempo, podiam largar a carreira de forma honrosa. Estes privilegiados ganhavam uma pensão do império e um gládio (espada de madeira simbólica).

Com o crescimento urbano vieram também os problemas sociais para Roma. A escravidão gerou muito desemprego na zona rural, pois muitos camponeses perderam seus empregos. Esta massa de desempregados migrou para as cidades romanas em busca de empregos e melhores condições de vida. Receoso de que pudesse acontecer alguma revolta de desempregados, o imperador criou a política do Pão e Circo. Esta consistia em oferecer aos romanos alimentação e diversão. Quase todos os dias ocorriam lutas de gladiadores nos estádios, onde eram distribuídos alimentos. Desta forma, a população carente acabava esquecendo os problemas da vida, diminuindo as chances de revolta.

II – UFC NA SOCIEDADE DO ESPETÁCULO

O Ultimate Fighting Championship (UFC) é a maior organização de artes marciais mistas do mundo. De origem brasileira, é atualmente comandada pela Zuffa Entertainment e presidido pelo norte-americano Dana White. Lutadores desse esporte praticam diferentes artes marciais, tais como jiu-jítsu, boxe, luta livre olímpica, boxe tailandês, boxe chinês, caratê, entre outras. É um espetáculo exibido em 36 países, inclusive no Brasil, cujo valor de mercado gira em torno de 1 000.000.000 de dólares. Um produto rentável e plenamente absorvido pela sociedade.

Guy Debord, em seu Sociedade do Espetáculo, afirma que o espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediatizada por imagens. Diz ele:

O espetáculo, compreendido na sua totalidade, é simultaneamente o resultado e o projeto do modo de produção existente. Ele não é um complemento ao mundo real, um adereço decorativo. É o coração da irrealidade da sociedade real. Sob todas as suas formas particulares de informação ou propaganda, publicidade ou consumo direto do entretenimento, o espetáculo constitui o modelo presente da vida socialmente dominante. Ele é a afirmação onipresente da escolha já feita na produção, e no seu corolário — o consumo. A forma e o conteúdo do espetáculo são a justificação total das condições e dos fins do sistema existente. O espetáculo é também a presença permanente desta justificação, enquanto ocupação principal do tempo vivido fora da produção moderna.

Assim, de repente vimos um produto comercialmente rentável sendo incorporado no cotidiano das pessoas, tomando conta de seu gosto e virando um evento compartilhado coletivamente em bares e espaços públicos. Até a Rede Globo de televisão se rendeu, visando audiência em pico. Mas, por que um esporte violento e com requintes de brutalidade medieval atrai tanto o interesse das pessoas no mundo contemporâneo? Por que sente-se prazer em ver o seu “ídolo” massacrar o adversário (inimigo), dando uma sensação de prazer e êxtase?
III – O PRINCÍPIO DO PRAZER FREUDIANO
Freud analisa o princípio de prazer do ponto de vista econômico, correlacionando-o ao princípio de constância, cuja função é de manter a quantidade de energia a mais baixa possível – o prazer corresponderia a uma diminuição da quantidade de excitação (já o desprazer, a um aumento).

“A tendência dominante da vida mental e, talvez, da vida nervosa em geral, é o esforço para reduzir, para manter constante ou para remover a tensão interna devida aos estímulos (o “Princípio de Nirvana”) (p. 66)

Diante das dificuldades da vida moderna, excesso te trabalho e pressa, falta de tempo, dificuldades financeiras, infelicidade no amor, o sujeito vê-se cada vez mais envolvido em tensões, chegando muitas vezes a um estresse, isto é, um excesso de energia que causa desconforto, desprazer. Necessita, portanto, de situações que sirvam como válvula de escape para essas tensões. A Industria Cultural utiliza-se dessa prerrogativa para produzir instrumentos que sirvam como elemento desestressante e ao mesmo tempo venda e dê lucro. Podemos enquadrar nessa situação os confrontos do UFC. Estes são o mecanismo através do qual o sujeito “resolve” suas dificuldades do dia a dia. O sujeito, ao torcer para que o seu lutador predileto destrua o adversário e vença a luta, está projetando-se naquele diante de suas representações opressoras (patrão, companheiro, sociedade, mãe, pai, falta de dinheiro, credor, etc.)

Assim, Freud atribui ao jogo a função de mudar o sujeito de uma posição de passivo para ativo. Segundo ele, essa mudança transfere a experiência desagradável para um outro sujeito do jogo, vingando-se, dessa maneira, num substituto. O espectador “vinga-se” daquilo ou daqueles que o “oprimem” ou causam “desprazer” na derrota do adversário.

IV – CONCLUINDO, POR ORA

Essa projeção no outro como instrumento de prazer diante do desprazer se dá por um processo de identificação. Existem diversas formas de identificação, mas a mais comum se dá por questões geográficas. Se torce pelo meu compatriota, meu conterrâneo. Isso se vê de forma muito intensa no Brasil. Por exemplo, quando o papa João Paulo II morreu e começou o processo de escolha do novo papa, cogitou-se a eleição do cardeal Cláudio Hummes, brasileiro. Havia uma euforia por parte de uma parcela da população torcendo para que o Brasil “ganhasse” o conclave e assim termos um papa brasileiro, numa espécie de “UFC” católico. Provavelmente, se acontecesse, haveriam fogos, festa nas capitais, carnaval na Bahia, Globo Repórter sobre o novo papa brasileiro, O Fantástico seria dedicado a ele.

Outro exemplo típico dessa necessidade de identificação é escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014. Não se discutiu questões fundamentais, como a infra-estrutura necessária, a segurança, etc. Apenas, torceu-se para que fossemos escolhido sede. Manifestações em todas as partes do Brasil, foguetes e carnaval na Bahia. Depois se estendeu a euforia na escolha das cidades. Manaus foi uma delas. Gritos de “eu tenho orgulho de ser amazonense” invadiram a cidade. Não importam os bilhões gastos na construção de um Estádio que terá apenas três jogos e depois ficará como a maioria dos computadores das escolas públicas: guardados para que não se estraguem.

Agora, a identificação da vez é o manauara José Aldo, que venceu uma luta no UFC. Aqui se converge tudo o que foi dito até agora. Junta-se o espetáculo como instrumento de “gozo” para esquecer a vida miserável e patética que temos de forma muito mais próxima. Temos um conterrâneo vencedor. Uma imagem de que nós manauaras derrotamos no octógono tudo aquilo que nos oprime. Não se discute a porcaria de política que temos na cidade, com uma corja de políticos cínicos, até porque muitos votaram neles. Mas, os “derrotam” simbolicamente com o TAMBÉM amazonense José Aldo. Não pode reclamar do péssimo transporte coletivo de Manaus, porque os responsáveis por ele “trouxeram” a Copa do Mundo pra cá. Batemos neles então com os pés de José Aldo.

Por fim, só me resta lamentar que num país em que se criminaliza a briga de galo, se tenham orgasmos com uma luta entre homens. E aí, me desculpem os amantes desse “esporte(?). Dizer que é um esporte que ensina as pessoas a se respeitarem, que prega o equilíbrio, blá blá blá, é no mínimo ingenuidade. Ainda acho que sexo bem feito resolve todas as tensões.

Réstia

(Paulinho Kokay)

A manhã nasceu depois da lua cheia
Carregada de amor e paixão
Equilibrados pelo gosto da menina
Pele suave e riso moreno
Boca carnuda, vermelho carmim
Olhos de “Jeanne é um gênio”
Mágica no seu toque sutil
Como de costume,
Acordei mais feliz

(c) 2012 – Paulinho Kokay

Botequim – 06 de janeiro de 2012

Noite muito agradável no Botequim. Com o temporal que caiu e a falta de energia, achava que ia ser um fracasso de público. Ainda bem que me enganei. Lotou e a noite bombou. Agora só em fevereiro.

Cativo

Quando fui cativo perdi o rumo
Nas encostas da minha solidão
Cai ferido nas asas que me ergueram
Um morto quase vivo, cético e só
Onde estará o meu canto?
Onde será o meu canto?
Em que palco que eu canto?

Caminho sem volta

Soneto da Inalação

Acordo com as vestes do amor
Refletindo nos olhos da menina
Nem parece que outrora senti dor
Em que ser triste parecia minha sina

Desperto sem medo na madrugada
Como se estivesse livre no paraíso
Tocando os olhos da bela namorada
Fazendo espalhar no ar o seu sorriso

E ela ali, lindos cabelos em cascata
Esbanjando alegria sutil e sensata
Me faz acreditar na vida

Tentando dominar a sua respiração
Diz que me ama, durante a inalação
E à felicidade me convida

(c)2012 – Paulinho Kokay

SENSAÇÕES

MUI AMIGO

Os números de 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

A sala de concertos da Ópera de Sydney tem uma capacidade de 2.700 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 9.000 vezes em 2011. Se fosse a sala de concertos, eram precisos 3 concertos egostados para sentar essas pessoas todas.

Clique aqui para ver o relatório completo

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