Faxina no Facebook – Ninguém me cutuca e a Luiza voltou
Onde o mundo real se converte em simples imagens, estas simples imagens tornam-se seres reais e motivações eficientes típicas de um comportamento hipnótico. O espetáculo, como tendência para fazer ver por diferentes mediações especializadas o mundo que já não é diretamente apreensível, encontra normalmente na visão o sentido humano privilegiado que noutras épocas foi o tato; a visão, o sentido mais abstrato, e o mais mistificável, corresponde à abstração generalizada da sociedade atual. (Guy Debord – A Sociedade do Espetáculo)
Outro dia resolvi fazer uma limpeza no meu Facebook. Comecei pelas pessoas sem foto e aí encontrei a Ana Cristina, minha querida amiga Aninha, pessoa pra lá de especial a qual jamais excluiria do meu rol de amigos. Resolvi partir pro critério número de amigos comuns. Vi que os únicos que se enquadravam nesse critério eram pessoas de outros Estados. Acabei por excluir pessoas que nunca havia tudo qualquer contato virtual, nem cutucada, nem comentário nem curtidas. Dentre essas pessoas exclui uma antiga amiga de décadas passadas. Para minha surpresa, essa, em menos de meia hora me mandou uma mensagem dizendo: “poxa, você me excluiu. Adoro ler o que vc escreve. Que pena!”. Fiquei me sentindo culpado e percebi que independente de ser curtido, cutucado ou comentado, somos lido e admirados. Percebi então que esse negócio de limpeza é uma bobagem só. Se não quero quantidade e sim qualidade nos meus amigos virtuais, que eu crie critérios na hora de aceitar. Eu, por exemplo, não aceito político de jeito nenhum, a não ser os que eu considero sérios, que são poucos.
O Facebook, como todas as redes sociais não se difere da vida real. Ao irmos ao shopping, cruzamos com centenas de pessoas as quais não conhecemos. Mas também encontramos conhecidos, alguns dos quais não queremos papo. Aí desviamos, fingimos estar no celular, fazemos de conta que não vimos. Mas, ao irmos ao shopping não podemos simplesmente eliminar as pessoas. Elas estão lá. Agora, se temos pessoas no nosso rol de amigos virtuais, as quais adicionamos ou aceitamos convites, que nos desagradam, temos por opção cancelar a assinatura, que nos impede de ler o que ela escreve; podemos excluir ou ainda bloquear, o que elimina qualquer possibilidade de contato. Penso eu que isso deve ser feito em casos de invasão de privacidade, meter o bedelho onde não é chamado, agressão verbal, até por divergência de opinião. Mas, é estranho quando eu adiciono e depois resolvo excluir porque essa pessoa não me cutuca, não comenta minhas publicações ou nunca me curtiu. Acho muito narcisismo da pessoa.
Eu tenho uma escala de ações: primeiro eu cancelo a assinatura. Se a pessoa rescindir, excluo. Na insistência, bloqueio. E fiz isso em alguns casos: a) gente chata. Não chatinha, mas chata de galocha; b) gente que fica se mostrando, contando vantagem, fazendo apologia ao seu ego, como se mais ninguém existisse, publicando seu curriculum vitae, como se fosse um romance de Milton Hatoum; c) Gente que fica postando piadinhas sem graça, de mau gosto, preconceituosa e pior: já publicada há séculos e é apresentada pela pessoa como a maior novidade; d) Gente que faz apologia à doença, como se fosse um GPS. Descreve cada passo da consulta, narra sua cirurgia, implora atenção; e) Gente que fica tratando animal como gente, postando foto das “crianças”, dizendo que o “bebê” não comeu, está doente; f) Fanáticos, tais como ecologistas, evangélicos, torcedores, tarados, exibicionistas, etc.
E agora acrescentei mais uma categoria: as pessoas que perdem um tempo danado criticando as coisas. Ficam postando mensagens de ódio pelo Big Brother, por exemplo. Porra, desliga a TV, muda de canal. No fundo, todo mundo dá uma espiadinha e fica fazendo onda. EU não gosto, não assisto, pronto. Outro dia falei do UFC porque estavam vangloriando o Aldo por ser amazonense e me criticaram. Não tenho nada contra UFC, nem assisto. Mas também não fico enchendo o saco falando mal. Cada um no seu cada um. Me impressiona as pessoas que trabalham na mídia criticarem o fator “Luiza está no Canadá…”. Isso, mesmo sendo fútil, não deixa de ser um fenômeno de mídia. Estudem isso e proponham o uso da internet pra coisas boas ao invés de ficar se masturbando com o membro do outro, que escreve contra.
Então, meus queridos, aviso que em primeira instância aceito todo mundo que convida pra ser amigo no Facebook. Mas, não garanto a permanência mediante esses critérios acima descritos. Assisto Big Brother, embora não seja fã. Gosto de observar o comportamento humano, por isso escolhi a Psicologia. Assisto TV Senado e TV Câmara, vez ou outra. Me divirto com os programas evangélicos e aqueles pastores eufóricos e teatrais. Assisto A Vida da Gente, Aquele Beijo, Fina Estampa e Domingão do Faustão, às vezes. Choro com Lar Doce Lar, do Caldeirão do Huck. Odeio o Discovery Channel, National Geografic e seus documentários sonolentos dizendo que “a fêmea marsupial investe pouca energia e recursos durante a gestação, mas a lactação requer investimento substancial…”.
Termino por aqui, mas antes lembro a todos que a Luiza já voltou do Canadá.
PS.: Alguém sabe que porra é Marsupial?













