O homem ideal deveria ser tão bonito quanto sua mãe pensa que ele é; tão rico quanto seu filho pensa que ele é; ter tantas amantes quanto sua mulher pensa que ele tem e ser tão bom de cama quanto ele próprio pensa que é (Anedotário Popular)
Sou frustrado porque não passei de um “mestradozinho” em educação feito numa universidade particular do interior de São Paulo. Quem eu penso que eu sou? Só tenho 15 anos de Universidade, como posso dar pitaco em briga de peixe grande? Quem eu penso que sou pra por em questão a sexualidade ou a freqüência sexual das pessoas? Sou magoado porque os mais graduados me “impediram” de ser candidato… blá, blá blá….
Quem está lendo meu blog pela primeira vez pode não estar entendendo nada do que eu disse acima. Já os que leram podem fazer várias interpretações. Uns podem achar que eu estou me desculpando por alguma coisa que escrevi. Outros podem achar que eu estou ironizando a repercussão dos posts anteriores. Outros ainda acharão que eu gosto mesmo é de confusão, afinal, nunca meu blog foi tão visitado. Estou pensando até em voltar a falar mau do Amazonino.
O fato é que, pra quem tem um pouco de formação superior, espera-se que tenha conhecimento de que quem dá o sentido às palavras não é quem escreve e sim quem lê. Por isso essa infinidade de interpretações. A palavra TERRA, escrita por qualquer pessoa, pode significar “luta” para alguém do MST, “desespero” para quem padeceu de sede no deserto, “grandiosidade” para um astronauta, “saudade” para quem está longe de casa, “prazer” para alguns homens. Enfim, quem escreve não possui o controle da interpretação de cada um, da sua história.
Me admira a reação das pessoas. Nunca pensei que meu blog teria tanta repercussão. Tiraram até cópias e cópias para ampliar sua leitura. Mas, estou gostando. De verdade. Isso é democracia. A Internet veio pra isso. Pra acabar com a falta de comunicação, pelo uso do poder para calar outras pessoas, veio minimizar o poder de manipulação de algumas pessoas. Falei, fui lido e incomodei, inclusive quem eu não queria incomodar, quem eu gosto e tenho respeito.
Ana Freud, em seu livro “O Ego e os mecanismos de defesa”, nos fala sobre o mecanismo de projeção no qual a pessoa projeta seus impulsos proibidos para o exterior criando uma intolerância das outras pessoas, que antecede à sua severidade para consigo mesmo. Sua indignação cresce automaticamente quando a percepção de sua própria culpa está iminente. Embora percebendo a própria culpa, continua sendo agressiva em suas atitudes para com as outras pessoas.
Em outras palavras, quando nos identificamos com algo que tivemos contato que desperta angústias, tensões, culpas e questões com as quais não damos conta, os mecanismos de defesa atuam de forma inconsciente (porque se fosse consciente não seria mecanismo de defesa). Daí a reação decorrente das interpretações que a nossa história nos permite.
Mais do que uma reação ao suposto “ataque”, é um sinal dos processos de cada pessoa. A psicologia é linda por isso. Nos torna mais tolerantes com as pessoas. Entendê-las em suas angústias, frustrações, permite que as entendamos na sua arrogância ou pedantismo. A desorganização “exterior” pode explicar a desorganização interior. A subjetividade é ao mesmo tempo o maior capital e o maior desafio do processo terapêutico.
Eu sou extremamente feliz. Isso não quer dizer que esteja dizendo que os outros não sejam. Eu tenho muito filhos. Isso não quer dizer que os que não tem foram incompetentes. Eu canto mas não sei trocar torneira. Tem gente que troca torneira e ainda canta. Ponto. Não sou melhor nem pior do que ninguém. Sou eu. Quem eu penso que sou? Interpretem.
PS.: OBRIGADO PELO APOIO DE TANTAS PESSOAS, MUITOS ANÔNIMOS. ALGUÉM ME AGRADECEU POR EU DIZER O QUE MUITOS NÃO TEM CORAGEM. RESPONDI QUE SÓ DISSE PORQUE ACHO.


