Triste dos que vivem sonhando com a eternidade de alguma coisa. Tudo que começa precisa acabar. É o ciclo. Do nascimento partimos pra morte. Quando começamos o novo, este carrega muito do velho e já se inicia velho diante de um próximo novo.
Tenho pensado muito em algumas coisas que são resultantes do meu momento. A enfermidade de dois grandes amigos meus me fazem pensar na vida e suas artemanhas. Ouço pessoas dizer que não se arrependem de nada do que fazem. Vivem o seu momento. Eu cheguei a pensar assim. Já fui prepotente o suficiente pra me achar maior que tudo e todos e bater no peito e gritar: não me arrependo de nada que eu fiz.
Hoje penso diferente. As borboletas com seus vôos leves e vazios me fizeram perceber que de algumas coisas eu me arrependo sim. Tenho a humildade de reconhecer que me enganei. Poderia ter feito diferente ou jamais ter feito. Mesmo com os ganhos secundários que obtive. Me arrependo de não ter feito tantas canções como gostaria, assim como me arrependo de algumas canções que fiz. Me arrependo de ter convivido com certas pessoas, perdendo um tempo precioso da minha vida. E me arrependo de ter deixado passar outras pessoas verdadeiras. Me arrependo de não ter percebido que alguns anjos são demônios. Que alguns cordeiros são lobos. Por causa disso deixei de ver e perceber alguns verdadeiros anjos próximos o suficiente para ouvir sua música doce.
Os olhos da cobra é verde, hoje foique reparei. Se reparasse a mais tempo não amava quem amei.
Mas, mesmo me arrependendo, não perdi as esperanças. De alguma forma tirei proveito de todas essas situações e aprendi com elas. Me deram armas para que eu pudesse usar nas novas trincheiras da vida. Pessoas passam e se vão (às vezes, graças a Deus). Por vezes se vão pra melhor. Em outras, lamentavelmente, voltam pro mundinho fechado. Para os seus casulos. Andam para trás achando que caminham para frente. Até caírem de novo. Porque essas pessoas andam em círculos. Sua vida são situações repetidas.
Hoje estou como sempre estive. Feliz. E quero permanecer assim, afastando do meu caminho tudo e todos que representam ameaça à minha paz e ao meu sossego. Descarto do baralho as que já não me servem mais pra nada. Ou que, na verdade, nunca serviram.
Essa mentira é uma espuma que se desmancha ao luar e deixa n´água um espelho pra você se ver chorar!
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