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alma, beleza, experiência, kokay, reflexão, solidão

Viver não é preciso, mas é necessário

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blog, experiência, kokay

Somos todos e tudo que vivemos


Olhamos a vida a partir de nossas experiências. Tudo o que vivemos está marcado em cada percepção que temos da realidade. Da mesma forma, cada pessoa que passa por nossa existência, de uma forma ou de outra, escreve alguma linha da nossa história. Ninguém está imune a isso. Assim, podemos afirmar que somos a soma te todos e tudo presentes em nosso viver. Amores, paixões, canções, alegrias, tristezas, amigos, inimigos, desafetos, afetos. Tudo está contido em nós.

Compreender a partir da consciência dessa peculiaridade humana nos faz viver, se não melhor, pelo menos mais significativamente. Permite que vivamos de forma mais real e evitemos problemas desnecessários. Nenhum ato nosso está isento dessa experiência. Nenhum temperamento se consolida sem as marcas da história. Reagimos ao agir diante do mundo. 

Portanto, conhecer-se em suas marcas da existência e reconhecer-se atuando na vida é fundamental para uma existência saudável e real. Nossa autonomia está não em achar que não dependemos de ninguém ou que nada nos atinge. Está, sim, na capacidade de fundar nossa conduta a partir da superação das nossas limitações. Isso serve também para a compreensão das atitudes dos outros em nossa vida.

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Milhas de mim


Há um momento em que pede calmaria. A mente começa a boicotar com silêncios aquilo que se mostra exposto. Há um vazio cheio de memórias, lembranças, marcas e expectativas criadas a partir do que se é possível sonhar. Resta a poesia. Restam as palavras mudas, os olhares cegos, as vozes surdas. Às vezes preciso estar milhas e milhas distante de mim mesmo. Por instantes preciso sair da ilha que é o meu coração para ver o pôr-do-sol fora de sua beleza laranja. E permaneço atento, sentindo a brisa da alma acariciar o meu rosto, tocar a minha pele gasta pelo tempo. Esse egoísmo que sucintamente perambula com o amor e alimenta a paixão incomoda o caminhar e exige um vôo mais leve. Sim. Preciso sentir-me leve como antes, quando o mundo passava pelas cordas do meu violão bolinadas pelos meus dedos. Essa juventude que insiste em não me abandonar exige de mim uma leveza brilhante. Perdoo-te, pois, tempo que não para, por levar-me o meus melhores anos tristes e solitários. Peço-te que me acompanhes e me deixe desfrutar do que me resta pela frente. 

   

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Tempo, tempo, tempo


Eu era um jovem sonhador. Passava as horas dos dias tocando violão e cantando as canções que tocavam no rádio. Naquele tempo, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho, Milton Nascimento, Caetano Veloso e por aí vai. Geração de sorte essa nossa. O ano era 1981. 

  

Eu, então com dezesseis anos de idade, via o mundo pelo viés da adolescência. Acreditava que éramos super heróis que iríamos recolucionar a cabeça da juventude fazendo música. Éramos vistos e concebidos como maconheiros, problemáticos, simplesmente porque não gostávamos de assistir aulas. Preferíamos fazer uma roda e ficar cantando. Muitos amigos, colegas de escola. Era lindo e eu me sentia artista de verdade.

Um dia, eu e meu parceiro Cléber Cruz resolvemos juntar aquela gente que ficava ao redor. Assim, não sei como, conseguimos o auditório da escola e fizemos um show. Eu, ele e um baterista que não recordo o nome. Foi nosso primeiro show. Lembro de algumas coisas. A mãe do Cléber, fã número um, lá na frente, empolgada. Lembro de algumas pessoas na platéia. Não importava. O show era pra gente. Foi muito bom.

O tempo passou, tornei-me Paulinho Kokay, meus cabelos cresceram, depois encurtaram, embranqueceram. Hoje, com 50 anos, memórias doces começam a fluir dentro de mim. Meio saudosismo, meio desejo de registra minha história. Eu era um jovem sonhador. E ainda sou.

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O dia que fui artista “de verdade”


O ano era 1989. Geraldo Azevedo, à época no auge, fez um show maravilhoso no Olímpico Clube. Eu cantava no Club da Skina e era conhecido apenas pelos que frequentavam. Fui convidado por alguém da produção, que era cliente do bar, para fazer o pré-show. Apresentei-me com Said Bastos na percussão. Nesta noite, iria cantar apenas músicas de minha autoria. O show estava atrasado. 

Quando entrei no palco, algumas vaias e gritos de “Geraldo Azevedo”. Sinceramente, aquilo quase me abalou, mas respirei fundo e comecei a cantar. Seriam seis músicas. Na segunda música, a sensação era de que estava cantando pra ninguém e pronto para receber tomates e ovos na cara. 

Na terceira música, avisei Said que modifiquei o repertório. Cantei “Porto de Lenha”, dos amigos Torrinho e Aldizio Filgueiras. Todos cantaram juntos. Foi mágico. Ao final da canção, fui ovacionado. Daí até o final, vi uma platéia interessada em ouvir aquilo que eu estava cantando. Saí do palco me sentindo um artista de “verdade”. 

Saudade de um tempo em que o público tinha disposição para ouvir o novo. Um tempo em que não tínhamos uma carreira e sim uma estrada. Éramos “amadores” porque amávamos fazer aquilo. 

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Calma à alma


Por Paulo Ricardo Freire

A interatividade com o outro significa a nossa humanidade. Somos seres que nos constituímos socialmente, interagindo com as pessoas que fazem parte de nosso campo de ação. Em função disso, lidar com o outro configura-se uma arte. 

Desde muito pequenos somos treinados a lidar com o outro. Dependendo de como acontece esse treino, nos tornamos pessoas com facilidade ou com dificuldade de interação. Se aprendemos a falar e a ouvir, nos tornaremos adultos flexíveis e afeitos ao diálogo. Do contrário, se aprendemos somente a falar, nos tornamos tiranos. E se aprendemos apenas ouvir, submissos.

Lidar com os outros é uma arte, assim como viver. Requer maturidade emocional, capacidade de reflexão e análise, empatia (colocar-se no lugar do outro) e, principalmente, desprendimento quanto às expectativas. E esta última, a meu ver, é a mais difícil. Porque, quando agimos, consciente ou não, esperamos a reação (resposta) do outro e assim se estabelece o diálogo.

Por isso, tenho me policiado muito para não esperar do outro essa ou aquela conduta. Tenho acalmado a alma no sentido de não criar expectativas, não fazer planos em que envolva o outro e este seja personagem principal. Cada um é livre para agir da forma que ache conveniente e lidar com as consequencias de suas decisões. Eu preciso apenas seguir meu coração, fazer uso da minha coerência e ter discernimento naquilo que penso e falo. 

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Fóssil


Por Paulo Ricardo Freire

O coração é um músculo que os poetas insistem em resignificá-lo. Amamos com o cérebro, mas é ele quem ganha os louros. E amores e paixões são sinapses com alto poder de ação, que produzem hormônios que nos “alesam” e nos deixa vulneráveis.

Mas, nada disso importa. Sou poeta e sei que, para nós, o coração é muito mais que esse simples órgão que pulsa do lado esquerdo do peito. Ele é o sangue que circula e conduz nosso pensamento e nossa ação.

E cada nova emoção que se cria sedimenta a anterior, a transformando numa espécie de fóssil. Mas, elas estão lá, presentes, gravadas no solo nos lembrando com suas marcas tudo o que vivemos.

Às vezes a vida causa rachaduras no coração. Cada buraco aberto revela, “maestralmente” como um arqueólogo, o que ficou gravado no fundo.

No entanto, somos acolhidos, pois, ligamos passado, presente e futuro.E nos sentimos plenos e nossos espaços vazios são preenchidos. Ao final, nosso coração se torna um sítio arqueológico de emoções.

Sábio é aquele que o sabe explorar e recontar a história e, com isso, torna sua vida melhor e mais significativa.

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