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Inveja e negação


Uma vez, quando fazia mestrado, em um debate acadêmico em sala de aula, um colega rebateu a fala do professor, um conceituado teórico na área da filosofia, dizendo-se ateu. Argumentou suas razões para não acreditava em Deus. Ao final da sua fala, o professor disse a ele o seguinte:” você se diz ateu e diz não acreditar em Deus. No entanto, na sua fala, eu contei 15 vezes a palavra ‘Deus’. Se você não acredita em algo esse algo simplesmente não existe. Portanto, não se fala nele. Parece-me que seu caso não se trata de não acreditar em Deus mas sim de nega-lo”.

Lembrei disso depois de ler os comentários sobre a Globo, novelas, BBB, etc. Muita gente reclamando, chamando quem assiste de idiota, etc. Todos os anos a mesma coisa. A crítica constante e permanente, de forma veemente, esconde muitas coisas. Não entendeu a relação? Pense. Bom dia.

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Aprender consigo


Paulo Ricardo Freire

Uma vez, nos idos da minha adolescência, ouvi de um professor que era preciso aprender com os erros. Embora tenha achado a frase simpática, não entendia bem o que isso queria dizer. Mais tarde, já na faculdade, também li isso em diversos autores. Passei a entender a proposta do ponto de vista da pedagogia.

Depois de muitos erros e acertos, hoje eu entendo perfeitamente o que isso significa. É um lugar comum mas ainda vale a frase: “Errar é humano. Repetir o mesmo erro várias vezes é burrice”. Trocando em miúdos, somos humanos, até podemos errar, mas sempre erros novos.

Hoje, por exemplo, eu tenho convicção de que tudo que acontece entre duas pessoas, seja em que nível de relação, é resultado de interações e de um diálogo entre elas. Ninguém faz ou é nada sozinho. Se uma pessoa nos machuca também somos responsáveis por isso. Se ela nos ama, idem. Não há masoquista sem sádico. Eles se completam. Assim como não há ciúme sem experiências anteriores de perda. As pessoas só fazem com a gente o que permitimos que elas façam e vice-versa. Com isso passei a entender melhor as pessoas.

Hoje consigo não esperar respostas e para isso não faço perguntas. Apenas observo, assimilo e aprendo a lidar com a sua dinâmica. Sou responsável pelas pessoas que cativo, mas a partir de mim mesmo. Ou seja, tenho que cuidar dos meus afetos, mas não sou dono dos sentimentos, muito menos regente das emoções alheias. Cada um cuide do seu amor da forma que é possível.

Sinto-me mais feliz assim e também sinto que tenho feito as pessoas que comigo convivem mais felizes e autênticas, mesmo que as vezes elas não percebam isso. Hoje procuro amar muito, com toda a minha força. E desejo isso das pessoas em relação a mim. Mas, apenas desejo. Não sou controlador nem provedor desse sentimento que é de cada um. Apenas digo que amo sem esperar o “eu também” como se fossem irmãos siameses. O “eu também” deve ser um “eu te amo” independente, livre e no seu momento propício. Só isso que eu digo.

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Realizar-se é tornar-se


Paulo Ricardo Freire

Para que fazemos o que fazemos? Qual o propósito de estarmos aqui e agora? “Realizar-se” é tornar-se real, vivo, significativo. Eu só me torno real como psicólogo se efetivamente atuar com as pessoas com as quais trabalho, de forma responsável e científica. Eu só me torno real como músico, se o público sentir no meu cantar a minha alma atuando através da música. Da mesma forma, eu só me torno real como professor se eu estiver dentro da sala de aula contribuindo efetivamente com a formação do meu aluno, cumprindo com o meu papel, com a carga horária destinada, com a ementa da disciplina que estou ministrando. Só me torno real com qualquer coisa se assumo o compromisso com essa coisa. Qualquer outra atitude é mera encenação barata de vida sem sentido, sem realização. É discurso vazio e sem sustança. Meu compromisso é tornar-me real naquilo que faço. Realizo-me como psicólogo, como músico e como professor. Pense nisso!!!!

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alma, beleza, experiência, kokay, reflexão, solidão

Viver não é preciso, mas é necessário

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Silêncio

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Ultimato para a suposta felicidade


Por Paulo Ricardo Freire

O ano de 2016 se finda. E que ano. Dentre as diversas coisas que aconteceram, sem dúvidas a perda de meu pai foi a mais significativa e difícil de superar. Mas, estou de olho no ano que se inicia. E algumas coisas eu preciso fazer, como um ultimato para a suposta felicidade.

No ano que se inicia buscarei me aproximar apenas de momentos e situações que me tragam alegria e alguma satisfação. Quero cultivar mais amigos reais que virtuais. Por isso, vou querer conhecer pessoalmente as pessoas que curto e acompanho nas redes sociais e que, em nenhum momento tive o privilégio de encontrar. Da mesma forma, para aquelas pessoas que me acompanham e me curtem estarei aberto e disponível para conhecê-las pessoalmente. Porque o que se leva dessa vida não são os bens materiais, mas os afetivos. Preciso me sentir gostado e curtido pelo que sou na realidade.

Quero rever velhos e bons amigos da juventude. Porque toda vez que reencontro sinto minha pele rejuvenescer e a minha doce juventude se aproxima do senhor de idade que sou. Por isso quero ser dono do meu tempo, do meu sorriso, da minha poesia, do meu cantar. Quero voltar a sonhar como quando era um menino adolescente. Porque sei que “há um menino, há um moleque morando sempre em meu coração”. Ao mesmo tempo, quero ser dono da minha velhice. Quero envelhecer em paz, tranquilo, acumulando experiências e histórias da forma mais lúdica possível.

Também quero viajar muito. Estar mais perto dos meus filhos que moram distante. Aproximar-me ainda mais dos que estão por aqui por perto. Quero ser um pai significativo e inesquecível para eles, como foi o meu para mim. Quero dar mais gargalhadas com eles.

Quero dizer mais o quanto amo as pessoas que amo. Manifestar isso com palavras, mas principalmente com gestos e atitudes. Não quero mais magoar ninguém nem ser desagradável com algo que eu tenha dito. Quero ser mais econômico nas palavras, utilizando um filtro que permita não desperdiçar o verbo. Apenas dizer coisas construtivas e relevantes. Com um pouquinho de humor e sarcasmo, é claro, para não ficar chato.

Quero cuidar da minha mãe, retribuindo tudo o que ela fez por mim e meus irmãos, e pelos seus netos. Quero aproveitar cada segundo ao seu lado, como uma forma simbólica de retorno ao útero. Quero passar minhas mãos em seus cabelos brancos e deitar em seu colo.

Quero ser um bom professor, responsável e coerente com o meu discurso. Quero que meus alunos me tenham como uma agradável lembrança no seu processo de formação. Quero conhecer mais as histórias de vida de nossos alunos. Quero compartilhar junto com eles tudo que estiver relacionado com sua vida acadêmica. Mas, também ser um amigo, uma voz confortadora nas questões pessoais.

Quero fazer alguma atividade voluntária como psicólogo, talvez, me envolvendo em algum projeto de alguma ONG, em centros de assistência, enfim, quero usar meu conhecimento em benefício das pessoas que não podem pagar por uma terapia.

Quero passar mais tempo ocioso, parado, ouvindo músicas “de velho” degustando um bom vinho.  Quero me encantar com Elis Regina cantando Como nossos pais, com Mercedes Sosa dando Gracias a la vida. Quero ouvir Leonard Cohen sussurrando You want it darker e Belchior me alertando que “o tempo andou mexendo com a gente”.

Quero esperar o ano novo na minha varanda, contemplando o céu em oração, sem multidão ou barulho. Apenas o som da noite quieta. Quero que o Natal seja apenas aniversário do Nosso Senhor Jesus Cristo. Que seja um momento de relembrar tudo que ele nos ensinou e tentar me tornar um homem melhor.

Quero, por fim, olhar todos os dias nos meus olhos no espelho, abrir meu melhor sorriso e perguntar: “- o que temos pra hoje?” . E sorrindo, responder a mim mesmo: “Temos vida pra ser vivida, companheiro”.

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