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O tempo andou mexendo com a gente


Por Paulo Ricardo Freire

Acordei e me deparei com a notícia da morte de Belchior. Dei uma geral para ver se não era boato e, infelizmente constatei a veracidade da triste notícia. Belchior desapareceu mais uma vez. Agora para o descanso eterno.

Eu tinha 14 anos quando ouvi Belchior pela primeira vez. Lembro do contexto. Estava ouvindo uns LP´s e me deparei com “Alucinação”, seu segundo disco, lançado em 1976. A cada canção do disco, eu ficava extasiado com aquela voz anasalada, aquelas letras fortes, verdadeiras, parecendo lutar para caberem na métrica da canção. Quando cheguei na terceira do lado A, “Como nossos pais”, repeti trocentas vezes. Queria decifrar cada detalhe daquela interpretação, daquela letra. Não havia internet nem Google para saber sobre ele. Tive que ter paciência. O fato é que me tornei seu fã e desde então busquei ter tudo o que ele produziu. Suas canções compuseram a trilha sonora da minha vida. Como músico também. Fiz vários especiais em bares com músicas de Belchior.

Em 2006, fui convidado para o fazer uma apresentação entre o show do Zé Ramalho e dele, Belchior, no Studio 5. É possível imaginar a minha emoção. O Zé Ramalho, primeiro show, tinha um camarim dele. Mas nem o usou. Chegou na hora de subir ao palco, fez seu show (muito bom, por sinal) e saiu. Assisti do palco. Fecharam-se as cortinas e eu apareci com meu violão, acompanhado pelo meu amigo Lúcio, que tocou baixo comigo. 5 mil pessoas à minha frente, a cortina do palco atrás e eu na beira do palco. Foi maravilhoso. Quando terminei minha apresentação, a produção disse que o Belchior queria conhecer os “companheiros” que haviam tocado antes dele. Claro que não acreditei, mas fomos lá. Cheguei em seu camarim, o mesmo me recebeu com um abraço, me deu os parabéns, e ficamos ali por uns 10 ou 15 minutos conversando, até ele entrar no palco. Eu me sentindo um adolescente fã diante do seu grande ídolo. Melhor: conversando com ele com exclusividade. Melhor ainda: sendo chamado de colega músico.

Foram minutos significativos. Conversamos sobre muitas coisas. Entre essas coisas, contou que uma vez, em um show seu no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, tinha um bêbado chato que não parava de gritar: “sai daí, vai aprender a cantar”, coisas do tipo. Ele então começou a falar para o público, sem dar confiança ao bêbado que continuava gritando, que seu primeiro show no Ceará tinha três espectadores no teatro. Ele olhou pela cortina e disse à mãe dele, que estava atrás do palco com ele, que não iria fazer o show, porque não tinha público. Ela então disse que ele iria fazer sim em respeito às três pessoas que lá estavam e completou dizendo: “meu filho, as vezes o público atrapalha”. Nesse momento todos no Teatro João Caetano aplaudiram e o bêbado acabou se calando ou foi embora. Todos no camarim riram. Belchior me abraçou, me desejou boa sorte e fez um dos melhores shows que assisti na minha vida. Do palco, sentido toda a emoção do público.

Belchior se foi. Não sua música. Não sua elegância. Não o seu abraço e desejo de boa sorte. Vai em paz. Obrigado por tudo.

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Torço por meu país


Por Paulo Ricardo Freire

Lembro quando Artur Neto venceu as últimas eleições para prefeito. Fiquei realmente triste porque o acho uma fraude e um falastrão. Lembro bem de ter manisfetado minha tristeza e ter dito: “se ele fizer alguma coisa boa, serei o primeiro a reconhecer. Se ele enfrentar a máfia do transporte coletivo, terá meu voto e farei campanha. Enquanto isso não acontece, serei implacável”.

Em respeito a muitas pessoas que conheço e considero que votaram no Artur, não “enlutei” nem os chamei de burros. E quem me conhece me acompanha sabe que bati muito no Artur nos dois anos iniciais, porque a cidade estava esburacada, o transporte uma lástima. Continuo achando-o uma fraude e falastrão. Mas, algumas coisas mínimas ele já começou a fazer. Nada que mereça elogios ou o meu voto. Mas, deixei de bater mais forte. E quero sim uma cidade melhor, por isso sou crítico e estou esperando pelas mudanças dos 100 primeiros dias de choque de gestão prometido. Como quero um Brasil melhor.

Na minha humilde opinião e de 53% de brasileiros, isso será possível com a Dilma. 48% acharam que não, optaram por um caminho diferente. O Brasil não está de luto. Quem pensa assim, perdoe-me, é prepotente, arrogante e antidemocrático. O Brasil está vivo e deixou claro que quer mudanças. E isso é muito bom, principalmente pra quem viveu uma ditadura. Quem diz que o povo é burro e não sabe votar porque seu candidato não venceu, é infantil e deselegante. Sinto-me extremamente ofendido com isso. Ex-alunos que, indiretamente, me chamaram de burro, duas semanas depois de terem me elogiado como professor.

Democracia é assim. Eleições acirradas. Passadas as eleições, o Brasil é um só. Torço por meu país, independente de quem ganhe ou perca. Jamais colocarei luto enquanto vivermos uma democracia. Jamais sujarei minha linda bandeira verde, amarela, azul e branca de preto, por ninguém ou nenhum partido.

Aos meus amigos inteligentes e educados que não votaram na Dilma, obrigado pelo exemplo de maturidade política. Espero sinceramente que façam oposição ativa, buscando construir um país melhor. Aos demais alucinados, eufóricos e deselegantes, sugiro terapia e um mergulho em autores como Gramsci e Erik Hobsbawn, além do livro 1808, do Laurentino Gomes. Só isso que eu digo.

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A futilidade da vida


blogdokokay1

Todos ficamos estarrecidos com a notícia do triplo assassinato em Manaus. Por se tratar de pessoas muito próximas (não os conhecia) de amigos meus, da nossa cidade, o espanto e a indignação é maior. Mas não tão maior que a indignação com o assassinato da mulher grávida em São Paulo ou do menino arrastado pelo asfalto até a morte no Rio de Janeiro. Ou com a chacina de Realengo ou da Candelária.

O fato é que a vida está em baixa, sem valor. Guardando as proporções (complexidade da sociedade atual, informação imediata, etc.), acho que sempre esteve. Alguns seres ditos humanos sempre se esforçaram para não merecerem o adjetivo. Crimes bárbaros e hediondos sempre existiram, em escala muito menor, evidente. Há uma fragilidade da fé, conseqüência da religiosidade (nada a ver com crença religiosa) e da espiritualidade. As pessoas deixaram de acreditar, diante das agruras da vida.

A vida virou um fast-food de prazeres, a qualquer preço. Hoje não se ouve mais música que leve o sujeito a pensar, a refletir. É uma coleção de “Tchururu”, Tche tche tche”, num bailado esquizofrênico mais para ritual de sedução do que para outra coisa. A vida vai se inundando de futilidades. Meninas e meninos que “brincam” com seus corpos buscando prazeres físicos, simulando carinhos esquecidos na próxima hora. Rapazes sarados e tatuados fazem estatísticas das mulheres que pegaram, disputando com outros rapazes o ranking da pegação. Meninas que loteiam seu corpo sem qualquer sentimento de autopreservação, se sujeitando em serem presas fáceis. “Eu te amo” virou vírgula no discurso da sedução.

As pessoas passaram a “ser” através do “ter”. Quanto mais tiver, mais se é. Perdeu-se a essência de ser humano. Hoje, se um homem chora, é romântico, faz poesia, entrega flores, declara publicamente o seu amor, é condecorado com elogios e encantamento, como se fosse uma espécie em extinção. Muitas vezes, todavia, são considerados “otários”, “idiotas” ou “sem pegada” por algumas mulheres que, a meu ver, dizem isso para esconderem o seu desejo oculto de ter um homem justamente assim. Por outro lado, se uma mulher apresenta-se apaixonada, manifesta sua vontade de estar perto do seu objeto de desejo, é considerada por alguns homens como “grudenta”, “pegajosa”, “cueca”.

No fundo, “fica-se” para não criar vínculos para que não haja a perda e, consequentemente, o sofrimento, quando na verdade tudo o que se queria era um amor ideal.

Toda essa miscelânea de emoções e prazeres volúveis tornam as pessoas frias, calculistas, sem fé e fúteis. Não dão valor a nada que não seja imediato. Não dão valor à vida. E acabam por matar. A minha preocupação é que essas pessoas estão se juntando à outras e gerando filhos. E como serão esses filhos? Que comportamentos podemos esperar? Perguntas para a Psicologia buscar responder com pesquisas científicas.

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O MASSACRE DE REALENGO – UM OLHAR DO AVESSO


Estou, como todos os brasileiros de bom senso, consternado com o que aconteceu na escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro. Eu que sou pai e ao mesmo tempo professor de um curso de formação de professores, que tem a escola como espaço de atuação, me sinto duplamente comovido. Um massacre que deixa a todos nós reflexivos e amedrontados com a fragilidade da vida, principalmente quando envolve crianças. Foi assim nos casos da menina Isabella Nardoni e da adolescente Eloá, em São Paulo.

Mas, não vou falar sobre o massacre nem vou me atrever a fazer análise sociológica, filosófica, psicológica ou religiosa do caso. Também não vou buscar usar expressões contundentes, muito menos dar opinião sobre o crime. O que me chama a atenção são os desdobramentos decorrentes do fato, aí sim, me atrevendo a beber na fonte da psicologia, área em que me dispus a viver e crescer pelo resto da minha vida.

Tenho observado em tragédias como esta a reação de muitas pessoas ao se expressarem nas redes sociais, provavelmente pela massificação feita pela mídia, que nos bombardeia com informações, muitas vezes sensacionalistas, durante dias seguidos.

Guy Debord, em seu livro “Sociedade do Espetáculo”, afirma que “o espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediatizada por imagens“. Isto é, todas as pessoas acabam estabelecendo uma reação de indignação e medo coletivos, sendo solidários ao ponto de, cada um em seu lugar, manifestar sua solidariedade com aqueles que sofreram diretamente. Até aí, me parece coerente. Durkheim, diz que os fatos sociais são “todas as maneiras de ser, fazer, pensar, agir e sentir desde que compartilhadas coletivamente”. Assim, fatos como este provocam reflexões e atitudes que definem comportamentos impedidos pela dinâmica da vida de cada um, como por exemplo, manifestar ou declarar amor à pessoas próximas. Nesta sexta-feira, por exemplo, vários pais foram deixar seus filhos na sala de aula, inclusive eu, com certeza movidos por um instinto de proteção.

DE MÉDICO E LOUCO TODOS NÓS TEMOS UM POUCO OU DE PERTO NINGUÉM É NORMAL

De forma bem rudimentar e coloquial, podemos dizer que a maior parte de nossos comportamentos são equivalentes ao comportamento de pessoas com distúrbios psicológicos. O que nos coloca na categoria de “normal”, nos diferenciando dos “anormais”, é a freqüência, a intensidade e recorrência com que esse comportamento se manifesta, além do seu grau de interferência que  na vida cotidiana. Quem não saiu de casa e ficou preocupado se deixou uma porta aberta ou o ferro ligado? Mas, a pessoa com algum distúrbio é capaz de voltar do trabalho, do outro lado da cidade, para verificar a dúvida. Ou cria rituais que “facilitam” sua conduta.

Portanto, ficar comovido e até indignado com essa tragédia, fazer orações, minutos de silêncio, abraçar seus filhos, reclamar por segurança na escola. Tudo isso é plenamente aceitável.  No entanto, quando a reação a esse fato, sem que haja uma ligação direta, passa a interferir na vida, impedindo, por exemplo, a pessoa de sair de casa com medo ou não conseguir dormir por semanas por causa disso ou quando as pessoas ficam fixadas nesse fato e passam a redimensionar as suas vidas em função dele, podemos afirmar que o problema extrapola a dimensão social e migra para a dimensão psicológica.

Tenho um amigo do Paraná que está em Manaus há quinze anos. Quando chegou aqui, vivia falando mal da cidade, do povo feio e mau educado, manifestando seu descontentamento de ter vindo pra cá pra trabalhar. O tempo passou, ele casou, enriqueceu aqui e passou a se policiar, reprimindo a sua aversão a cidade. Quando o Thomas, da banda Restart, falou aquela besteira sobre o Amazonas, ele se indignou de uma forma incomum. Demonstrava um ódio por eles, pregando atos de repúdio em todas as conversas. Não precisa de muito esforço pra perceber que, ao se indignar com o menino e sua declaração, na verdade, estava negando a sua própria opinião sobre Manaus que é, talvez, mais contundente do que a do rapaz (que mais parece ignorância do que outra coisa).

Assim, é mais fácil apontar o foco para um fato social, manifestando sentimentos, desejos e frustrações, do que olhar para si mesmo e se perceber triste, infeliz, amargurado. É mais fácil condenar o assassino do que olhar para os seus próprios erros. É a mesma dinâmica da fobia. Eu transfiro para outro objeto aquilo que eu não suporto em mim, porque é mais fácil controlar.

Por isso, concluo dizendo que o chamado “Massacre de Realengo” deve servir de reflexão nos vários níveis da sociedade. É preciso discutir segurança, saúde mental, desarmamento, condições de trabalho do professor, a importância da família, o bulling, a proteção à criança e ao adolescente, enfim, todos os temas pertinentes a este caso, o primeiro no Brasil com essas proporções. Até porque, psicopatas e sociopatas estão aos montes muitas vezes ao nosso lado. E casos como esse tendem a motivar outros.

Mas também, precisamos nos cuidar e cuidar de nossas crianças pra que tenhamos uma vida mais qualitativa. Sejamos solidários, mas não dramáticos. Sejamos conscientes, mas não insanos ao ponto de simplesmente condenar o assassino, que também era vítima.

PS. Peço desculpa aos meus professores e também aos psicólogos por minha pretensão. Encarem os equívocos possíveis como parte de uma formação que não termina nunca, comentando e me corrigindo.

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SOU UM POUCO MULHERZINHA


Quando eu era criança, se a gente chorasse, era chamado de mulherzinha. Eu sempre fui uma criança emotiva. Com oito anos de idade fui ao circo e assisti a dramatização da música “Coração de Luto”, de Teixeirinha, na qual ele chegava em casa e ela havia incendiado e sua mãe morrera queimada no fogo. Eu chorei emocionado. Vários meninos da minha rua que estavam lá também começaram a me chamar de mulherzinha. Outra vez, chorei emocionado quando vi um filme sobre a vida de Jesus. Mesmo depois de adulto, continuei uma pessoa emotiva. Ainda hoje choro fácil. Basta uma imagem de filho que reencontra pai, Lar Doce Lar e Lata Velha, do Caldeirão do Huck, final de novela, por exemplo, e já começo a chorar emocionado.

Hoje eu chorei muito acompanhando a tragédia da chuva no Rio de Janeiro pela TV. Vi pessoas sofridas que demonstram superação e fé, outras voluntárias se mobilizando para viabilizar ajuda aos desabrigados, repórteres emocionados, bombeiros em dedicação total. Tudo isso me comoveu e me fez chorar copiosamente, por perceber como nossa vida é frágil.

A solidariedade é uma característica exclusivamente humana. Num mundo tão conturbado, com valores sendo esquecidos, com a vida tão desvalorizada, a solidariedade nos humaniza. Por isso me comovo. Hoje eu percebi, com muito orgulho, que sou um pouco “mulherzinha”.

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PALAVRAS DE UMA JORNALISTA DEPOIS DO ACIDENTE EM ANGRA


Minha tia Céu me enviou este texto em e-mail. Veio sem autor, mas eu reproduzo aqui. Chorei ao ler e isso pode ser coisa de velho, mas preciso acreditar que é coisa de pai.

Filhos são do mundo! Devemos criar os filhos para o mundo. Torná-los autônomos, libertos até de nossas ordens. A partir de certa idade, só valem conselhos.

Especialistas ensinaram-nos a acreditar que só esta postura torna adulto aquele bebê que um dia levamos na barriga. E a maioria de nós pais acredita e tenta fazer isso.

O que não nos impede de sofrer quando fazem escolhas diferentes daquelas que gostaríamos ou quando eles próprios sofrem pelas escolhas que recomendamos.

Então, filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para

darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem.

Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo!

Então, de quem são nossos filhos? Eu acredito que são de Deus, mas com respeito aos ateus digamos que são deles próprios, donos de suas vidas, porém, um tempo precisaram ser dependentes dos pais para crescerem, biológica, sociológica, psicológica e emocionalmente.

E o meu sentimento, a minha dedicação, o meu investimento? Não deveriam retornar em sorrisos, orgulho, netos e amparo na velhice? Pensar assim é entender os filhos como nossos e eles (não se esqueçam), são do mundo! Três dias na cobertura da tragédia na pousada Sankay, olhos grudados em fotos, tevê e Internet, vozes chorosas de mães e tios ao telefone me fizeram pensar nessa dor gigantesca que deve ser para um ser humano devolver o que mais amou nessa vida, mas nunca foi seu!

E, principalmente, me fez entender que mais do que corajosos, nós, pais, somos loucos por correr o risco de amar tanto sem garantias. Volto para casa ao fim do plantão, início de férias, mais tempo para os filhos, olho meus pequenos e penso como seria bom se não fossem apenas empréstimo!

Mas é. Eles são do mundo.

O problema é que meu coração já é deles.

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QUARTA-FEIRA DE CINZAS


As cinzas ficaram brancas do tempo destinado ao fim. A sensação de tristeza, perda e dor se mistura com o cansaço dos dias exaustos. Dias de folia, de alegria, de euforia, terminam em profunda angústia e solidão. A lua se apaga, o sol se esconde. A festa acabou. É quarta-feira de luto. Quarta-feira de morte. Só resta a saudade das fantasias e do plano de se ver de novo, talvez em outros carnavais.

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