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Viver não é preciso, mas é necessário

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blog, kokay, psicologia, reflexão

Façamos a nossa parte


A relação entre pessoas se configura pela linguagem. É através dela que adquirimos conhecimentos, que lemos o mundo, que vivemos. Daí a máxima de que o “ser humano é um ser social”. Essa “inter-Ação” (ação entre) as pessoas é, na verdade, uma relação de ação e reação, configurada pela personalidade de cada um e pela forma de ver e conceber o mundo. Por isso é difícil conviver, seja em que nível for. É imprevisível, na interação, prever as reações do(s) outros(s) no processo diálogo, ainda que o(s) conheçamos. Cabe-nos fazer a nossa parte, com autenticidade e convição, mas com flexibilidade e empatia. Não é fácil, mas possível.

  

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José Aldo e o orgulho de ser amazonense


I – OS GLADIADORES

Os gladiadores eram lutadores que participavam de torneios de luta na Roma Antiga. De origem escrava, estes homens eram treinados para estes combates, que serviam de entretenimento para os habitantes de Roma e das províncias. Eram escolhidos entre os prisioneiros de guerra e escravos. Com o passar das lutas, caso reunisse muitas vitórias, tornavam-se heróis populares. Nas arenas (a mais famosa era o Coliseu de Roma), os gladiadores lutavam entre si ou colocados na arena para enfrentar feras. O combate entre gladiadores terminava quando um deles morria ou ficava ferido com impossibilidade de continuar a luta. Os gladiadores mais bem sucedidos ganhavam, além da popularidade, muito dinheiro e, com o tempo, podiam largar a carreira de forma honrosa. Estes privilegiados ganhavam uma pensão do império e um gládio (espada de madeira simbólica).

Com o crescimento urbano vieram também os problemas sociais para Roma. A escravidão gerou muito desemprego na zona rural, pois muitos camponeses perderam seus empregos. Esta massa de desempregados migrou para as cidades romanas em busca de empregos e melhores condições de vida. Receoso de que pudesse acontecer alguma revolta de desempregados, o imperador criou a política do Pão e Circo. Esta consistia em oferecer aos romanos alimentação e diversão. Quase todos os dias ocorriam lutas de gladiadores nos estádios, onde eram distribuídos alimentos. Desta forma, a população carente acabava esquecendo os problemas da vida, diminuindo as chances de revolta.

II – UFC NA SOCIEDADE DO ESPETÁCULO

O Ultimate Fighting Championship (UFC) é a maior organização de artes marciais mistas do mundo. De origem brasileira, é atualmente comandada pela Zuffa Entertainment e presidido pelo norte-americano Dana White. Lutadores desse esporte praticam diferentes artes marciais, tais como jiu-jítsu, boxe, luta livre olímpica, boxe tailandês, boxe chinês, caratê, entre outras. É um espetáculo exibido em 36 países, inclusive no Brasil, cujo valor de mercado gira em torno de 1 000.000.000 de dólares. Um produto rentável e plenamente absorvido pela sociedade.

Guy Debord, em seu Sociedade do Espetáculo, afirma que o espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediatizada por imagens. Diz ele:

O espetáculo, compreendido na sua totalidade, é simultaneamente o resultado e o projeto do modo de produção existente. Ele não é um complemento ao mundo real, um adereço decorativo. É o coração da irrealidade da sociedade real. Sob todas as suas formas particulares de informação ou propaganda, publicidade ou consumo direto do entretenimento, o espetáculo constitui o modelo presente da vida socialmente dominante. Ele é a afirmação onipresente da escolha já feita na produção, e no seu corolário — o consumo. A forma e o conteúdo do espetáculo são a justificação total das condições e dos fins do sistema existente. O espetáculo é também a presença permanente desta justificação, enquanto ocupação principal do tempo vivido fora da produção moderna.

Assim, de repente vimos um produto comercialmente rentável sendo incorporado no cotidiano das pessoas, tomando conta de seu gosto e virando um evento compartilhado coletivamente em bares e espaços públicos. Até a Rede Globo de televisão se rendeu, visando audiência em pico. Mas, por que um esporte violento e com requintes de brutalidade medieval atrai tanto o interesse das pessoas no mundo contemporâneo? Por que sente-se prazer em ver o seu “ídolo” massacrar o adversário (inimigo), dando uma sensação de prazer e êxtase?
III – O PRINCÍPIO DO PRAZER FREUDIANO
Freud analisa o princípio de prazer do ponto de vista econômico, correlacionando-o ao princípio de constância, cuja função é de manter a quantidade de energia a mais baixa possível – o prazer corresponderia a uma diminuição da quantidade de excitação (já o desprazer, a um aumento).

“A tendência dominante da vida mental e, talvez, da vida nervosa em geral, é o esforço para reduzir, para manter constante ou para remover a tensão interna devida aos estímulos (o “Princípio de Nirvana”) (p. 66)

Diante das dificuldades da vida moderna, excesso te trabalho e pressa, falta de tempo, dificuldades financeiras, infelicidade no amor, o sujeito vê-se cada vez mais envolvido em tensões, chegando muitas vezes a um estresse, isto é, um excesso de energia que causa desconforto, desprazer. Necessita, portanto, de situações que sirvam como válvula de escape para essas tensões. A Industria Cultural utiliza-se dessa prerrogativa para produzir instrumentos que sirvam como elemento desestressante e ao mesmo tempo venda e dê lucro. Podemos enquadrar nessa situação os confrontos do UFC. Estes são o mecanismo através do qual o sujeito “resolve” suas dificuldades do dia a dia. O sujeito, ao torcer para que o seu lutador predileto destrua o adversário e vença a luta, está projetando-se naquele diante de suas representações opressoras (patrão, companheiro, sociedade, mãe, pai, falta de dinheiro, credor, etc.)

Assim, Freud atribui ao jogo a função de mudar o sujeito de uma posição de passivo para ativo. Segundo ele, essa mudança transfere a experiência desagradável para um outro sujeito do jogo, vingando-se, dessa maneira, num substituto. O espectador “vinga-se” daquilo ou daqueles que o “oprimem” ou causam “desprazer” na derrota do adversário.

IV – CONCLUINDO, POR ORA

Essa projeção no outro como instrumento de prazer diante do desprazer se dá por um processo de identificação. Existem diversas formas de identificação, mas a mais comum se dá por questões geográficas. Se torce pelo meu compatriota, meu conterrâneo. Isso se vê de forma muito intensa no Brasil. Por exemplo, quando começou o processo de escolha do novo papa, cogitou-se a eleição do cardeal Cláudio Hummes, brasileiro. Havia uma euforia por parte de uma parcela da população torcendo para que o Brasil “ganhasse” o conclave e assim termos um papa brasileiro, numa espécie de “UFC” católico. Provavelmente, se acontecesse, haveriam fogos, festa nas capitais, carnaval na Bahia, Globo Repórter sobre o novo papa brasileiro, O Fantástico seria dedicado a ele.

A identificação da vez é o manauara José Aldo, lutador do UFC. Aqui se converge tudo o que foi dito até agora. Junta-se o espetáculo como instrumento de “gozo” para esquecer a vida miserável e patética que temos de forma muito mais próxima. Temos um conterrâneo vencedor. Uma imagem de que nós manauaras derrotamos no octógono tudo aquilo que nos oprime. Não se discute a porcaria de política que temos na cidade, com uma corja de políticos cínicos, até porque muitos votaram neles. Mas, os “derrotam” simbolicamente com o TAMBÉM amazonense José Aldo. Não pode reclamar do péssimo transporte coletivo de Manaus, porque os responsáveis por ele “trouxeram” a Copa do Mundo pra cá. Batemos neles então com os pés de José Aldo. Quando ele perde, perdemos também. Quando expressamos palavras de incentivo e superação para ele que perdeu, dizemos a nós mesmos.

Por fim, só me resta lamentar que num país em que se criminaliza a briga de galo, se tenham orgasmos com uma luta entre homens. E aí, me desculpem os amantes desse “esporte(?). Dizer que é um esporte que ensina as pessoas a se respeitarem, que prega o equilíbrio, blá blá blá, é no mínimo ingenuidade. Ainda acho que sexo bem feito resolve todas as tensões.

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Seu sorriso em mim


Aquele espaço entre a porta e a rua é pequeno demais para comportar tanto amor, que se espalha por toda a casa. Por isso, sua ausência namora a minha saudade. Nas manhãs frias e preguiçosas repousam nossa alegria por estarmos vivos e podermos nos olhar e ver o reflexo de sol e lua brilhando nos olhos. Somos siameses na alma que vaga leve.

Seu corpo me toca um toque morenez atiçando a minha garganta, que desembesta a cantar suave, mas firme, a canção da nossa lenda. E eu esqueço a última dança torta, o último beijo tosco, os quais fizeram-me sucumbir em mim mesmo. Implosão de choro e dor. Não. Já não sou triste nem sou mais enganado, pois a víbora da voz mansa morreu com seu próprio veneno. Hoje sou um ser livre por amar demais. Hoje passeio pela vida como um beija-flor, leve voar, porque o seu sorriso está em mim, guiando os meus passos e traçando a minha trilha em busca da fonte da juventude, a qual nasce no olho d’água do amor.

  

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Outubro


Por Paulo Ricardo Freire

Chegou o mês de outubro. Mês do meu nascimento. Faço cinquenta anos. Quando eu fiz trinta anos, imaginei como estaria o mundo quando fizesse cinquenta. Como eu estaria? Vinte anos se passaram de lá pra cá e eu tento fazer um balanço desse tempo na trajetória da minha vida. 

Em 1995, eu tinha apenas duas filhas: Érika e Mariah. As duas cresceram, tornaram-se duas lindas mulheres e cuidam de suas vidas fora de Manaus. Hoje são seis, dois morando em Minas e dois em Manaus, morando com as respectivas mães.

De lá pra cá fiz mestrado em Piracicaba-SP e concluí o doutorado, aqui mesmo na UFAM. Naquela época não haviam as redes sociais, como hoje são conhecidas. A vida não era tão exposta, mas também os espaços de comunicação eram limitados. Hoje nos interligamos rapida e indiscriminadamente.

Descasei, joguei, investi, desisti, chorei, sorri, cantei muito e sempre, decepcionei pessoas, me decepcionei, fui enganado, enganei, errei, acertei, brinquei, “ranzinzei”… Envelheci!!!!

Enfim, daqui a uma semana faço cinquenta anos e só consigo pensar no que será o mundo e o que serei eu daqui a vinte anos.

Bem vindo, outubro.

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Calma à alma


Por Paulo Ricardo Freire

A interatividade com o outro significa a nossa humanidade. Somos seres que nos constituímos socialmente, interagindo com as pessoas que fazem parte de nosso campo de ação. Em função disso, lidar com o outro configura-se uma arte. 

Desde muito pequenos somos treinados a lidar com o outro. Dependendo de como acontece esse treino, nos tornamos pessoas com facilidade ou com dificuldade de interação. Se aprendemos a falar e a ouvir, nos tornaremos adultos flexíveis e afeitos ao diálogo. Do contrário, se aprendemos somente a falar, nos tornamos tiranos. E se aprendemos apenas ouvir, submissos.

Lidar com os outros é uma arte, assim como viver. Requer maturidade emocional, capacidade de reflexão e análise, empatia (colocar-se no lugar do outro) e, principalmente, desprendimento quanto às expectativas. E esta última, a meu ver, é a mais difícil. Porque, quando agimos, consciente ou não, esperamos a reação (resposta) do outro e assim se estabelece o diálogo.

Por isso, tenho me policiado muito para não esperar do outro essa ou aquela conduta. Tenho acalmado a alma no sentido de não criar expectativas, não fazer planos em que envolva o outro e este seja personagem principal. Cada um é livre para agir da forma que ache conveniente e lidar com as consequencias de suas decisões. Eu preciso apenas seguir meu coração, fazer uso da minha coerência e ter discernimento naquilo que penso e falo. 

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Aprender consigo


Uma vez, nos idos da minha adolescência, ouvi de um professor que era preciso aprender com os erros. Embora tenha achado simpática, não entendia bem o que isso queria dizer. Mais tarde, já na faculdade, também li isso em diversos autores. Passei a entender a proposta do ponto de vista da pedagogia.

Depois de muitos erros e acertos, hoje eu entendo perfeitamente o que isso significa. É um lugar comum mas ainda vale a frase: “Errar é humano. Repetir o mesmo erro várias vezes é burrice”. Trocando em miúdos, somos humanos, até podemos errar, mas sempre erros novos.

Hoje, por exemplo, eu tenho convicção que tudo que acontece entre duas pessoas, seja em que nível de relação, é resultado de interações e de um diálogo entre elas. Ninguém faz ou é nada sozinho. Se uma pessoa nos machuca também somos responsáveis por isso. Se ela nos ama, idem. Não há masoquista sem sádico. Eles se completam. Assim como não há ciúme sem experiências anteriores de perda.

Com isso passei a entender melhor as pessoas. Hoje consigo não esperar respostas e para isso não faço perguntas. Apenas observo, assimilo e aprendo a lidar com a sua dinâmica. Sou responsável pelas pessoas que cativo, mas a partir de mim mesmo. Ou seja, tenho que cuidar dos meus afetos, mas não sou dono dos sentimentos, muito menos regente das emoções alheias. Cada um cuide do seu amor da forma que é possível.

Sinto-me mais feliz assim e também sinto que tenho feito as pessoas que comigo convivem mais felizes e autênticas, mesmo que às vezes elas não percebam isso. Hoje procuro amar muito, com toda a minha força. E desejo isso das pessoas em relação a mim. Mas, apenas desejo. Não sou controlador nem provedor desse sentimento que é de cada um. Apenas digo que amo sem esperar o “eu também” como se fossem irmãos siameses. O “eu também” deve ser um “eu te amo” independente, livre e no seu momento propício. Só isso que eu digo.

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