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Calma à alma


Por Paulo Ricardo Freire

A interatividade com o outro significa a nossa humanidade. Somos seres que nos constituímos socialmente, interagindo com as pessoas que fazem parte de nosso campo de ação. Em função disso, lidar com o outro configura-se uma arte. 

Desde muito pequenos somos treinados a lidar com o outro. Dependendo de como acontece esse treino, nos tornamos pessoas com facilidade ou com dificuldade de interação. Se aprendemos a falar e a ouvir, nos tornaremos adultos flexíveis e afeitos ao diálogo. Do contrário, se aprendemos somente a falar, nos tornamos tiranos. E se aprendemos apenas ouvir, submissos.

Lidar com os outros é uma arte, assim como viver. Requer maturidade emocional, capacidade de reflexão e análise, empatia (colocar-se no lugar do outro) e, principalmente, desprendimento quanto às expectativas. E esta última, a meu ver, é a mais difícil. Porque, quando agimos, consciente ou não, esperamos a reação (resposta) do outro e assim se estabelece o diálogo.

Por isso, tenho me policiado muito para não esperar do outro essa ou aquela conduta. Tenho acalmado a alma no sentido de não criar expectativas, não fazer planos em que envolva o outro e este seja personagem principal. Cada um é livre para agir da forma que ache conveniente e lidar com as consequencias de suas decisões. Eu preciso apenas seguir meu coração, fazer uso da minha coerência e ter discernimento naquilo que penso e falo. 

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Aprender consigo


Uma vez, nos idos da minha adolescência, ouvi de um professor que era preciso aprender com os erros. Embora tenha achado simpática, não entendia bem o que isso queria dizer. Mais tarde, já na faculdade, também li isso em diversos autores. Passei a entender a proposta do ponto de vista da pedagogia.

Depois de muitos erros e acertos, hoje eu entendo perfeitamente o que isso significa. É um lugar comum mas ainda vale a frase: “Errar é humano. Repetir o mesmo erro várias vezes é burrice”. Trocando em miúdos, somos humanos, até podemos errar, mas sempre erros novos.

Hoje, por exemplo, eu tenho convicção que tudo que acontece entre duas pessoas, seja em que nível de relação, é resultado de interações e de um diálogo entre elas. Ninguém faz ou é nada sozinho. Se uma pessoa nos machuca também somos responsáveis por isso. Se ela nos ama, idem. Não há masoquista sem sádico. Eles se completam. Assim como não há ciúme sem experiências anteriores de perda.

Com isso passei a entender melhor as pessoas. Hoje consigo não esperar respostas e para isso não faço perguntas. Apenas observo, assimilo e aprendo a lidar com a sua dinâmica. Sou responsável pelas pessoas que cativo, mas a partir de mim mesmo. Ou seja, tenho que cuidar dos meus afetos, mas não sou dono dos sentimentos, muito menos regente das emoções alheias. Cada um cuide do seu amor da forma que é possível.

Sinto-me mais feliz assim e também sinto que tenho feito as pessoas que comigo convivem mais felizes e autênticas, mesmo que às vezes elas não percebam isso. Hoje procuro amar muito, com toda a minha força. E desejo isso das pessoas em relação a mim. Mas, apenas desejo. Não sou controlador nem provedor desse sentimento que é de cada um. Apenas digo que amo sem esperar o “eu também” como se fossem irmãos siameses. O “eu também” deve ser um “eu te amo” independente, livre e no seu momento propício. Só isso que eu digo.

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